A perda de águas superficiais: o aumento das áreas secas e a evapotranspiração de plantas aquáticas

O Brasil tem perdido de forma sistemática, nas últimas décadas, milhões de quilômetros de áreas de águas superficiais, especialmente áreas de várzea, planícies inundáveis, pequenas nascentes superficiais, entre outras. Estas regiões tidas como sempre úmidas e ambientes de ecótonos de transição entre os ambientes aquáticos e terrestres tem grande importância regulação de microclima, produção de água, fluxos de nutrientes e manutenção de diversidade biológica.

Segundo o Mapbiomas “o país está em desidratação”. A retração da superfície coberta com água foi de 15,7% desde o início dos anos 90, com diminuição de quase 20,0 milhões de hectares para 16,6 milhões de hectares em 2020. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a uma vez e meia a superfície de água de toda região nordeste em 2020 (https://mapbiomas.org/superficie-de-agua-no-brasil-reduz-15-desde-o-inicio-dos-anos-90).

Diversos fatores contribuem para estes eventos estarem tão acelerados, entre eles destacamos a expansão dos ambientes de cultivo e criação de animais limítrofes destes ambientes, a remoção de áreas de proteção e de áreas de proteção permanentes (APPs), o manejo e conservação de solo, a erosão dos ambientes agrícolas, a sedimentação e a invasão de espécies biológicas exóticas, como a Brachiaria d’água e o Lírio do brejo, dentre outras plantas. As plantas aquáticas apresentam grande capacidade de evapotranspiração de água, removendo para a atmosfera grandes volumes de água dos corpos hídricos superficiais na forma de vapor d’água, contribuindo com a diminuição das áreas úmidas superficiais, especialmente as de menor volume ou superfície.

Este cenário está alterando o microclima de diversas regiões no país, com mudanças na umidade relativa do ar, aumento da temperatura e diminuição do regime de chuvas, que pode alterar a disponibilidade de água para os diversas uso múltiplos, especialmente agricultura e abastecimento público, ou seja, armamos uma bomba relógio contra o nosso modelo de exploração ambiental e não temos a menor ideia de como resolver o problema a curto prazo.

Contudo, a uma solução difícil de ser empregada, mas a única real saída para resolver este problema é que temos que aprender a fazer manejo ambiental. Alguns atores, neste contexto, precisam entender que há uma necessidade urgente de alteração de comportamento com relação ao manejo ambiental no Brasil, especialmente os órgãos ambientais fiscalizadores, empresas, usuários de recursos, proprietários rurais, pesquisadores e população em geral. Apenas com a mudança e entendimento dos processos de intervenção nos ambientes alterados ou degradados é que temos possibilidade de praticar a recuperação ambiental e, consequentemente recuperar as áreas de águas superficiais perdidas sistematicamente. O primeiro ponto que destacamos é a mudança na legislação ambiental, permitindo o uso de ferramentas disponíveis para o mais diverso manejo de recuperação de áreas degradadas. Os agentes públicos e privados têm que tomar conhecimento dos processos de intervenção e a ciência tem que caminhar em direção da aplicação de processos de recuperação ambiental.

Prof. Dr. Claudinei da Cruzhttp://lattes.cnpq.br/1023527914463601
Eng. Agr. MsC. Wilson R. Cerveira Juniorhttp://lattes.cnpq.br/3906662365627801
Henrique Casagrandehttp://lattes.cnpq.br/0587635917765410
Felype Rocha de Araujo